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sábado, 30 de abril de 2016

Soneto de Maio



Suavemente Maio se insinua
Por entre os véus de Abril, o mês cruel
E lava o ar de anil, alegra a rua
Alumbra os astros e aproxima o céu.

Até a lua, a casta e branca lua
Esquecido o pudor, baixa o dossel
E em seu leito de plumas fica nua
A destilar seu luminoso mel.

Raia a aurora tão tímida e tão frágil
Que através do seu corpo transparente
Dir-se-ia poder-se ver o rosto

Carregado de inveja e de presságio
Dos irmãos Junho e Julho, friamente
Preparando as catástrofes de Agosto...

Vinícius de Moraes

Pessoal, desculpe o sumiço. Está difícil conciliar a vida com o blog, então estou tentando voltar. 

Esses dias eu estava relendo um livro com poemas do Vinícius de Moraes que tenho na estante e decidi publicar esse no último dia de Abril. Que venha um lindo Maio para todos nós!!


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O SEU SANTO NOME


Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu enganado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que toda é sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Carlos Drummond Andrade

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Primavera


Chove chuva de flor
Passarinho canta amor
O sol já raiou
A vida começou
Numa manhã de amor

Nota: Poeminha "bobo", mas há tempos eu gostaria de ter postado, eu o escrevi no começo do anos passado. Prometo no fim de semana visitar os blogs e responder os comentários. Beijos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Bilhete poetizado/ Poeticized note


Meu amado,

Quisera eu

Que as flores que me deste

Durassem para sempre

Mas elas duram tão somente

O tempo finito de um dia,

Mas as palavras que me disseste

Estas ficam então gravadas

No coração meu.


- Esse é um poema que eu escrevi há quase um ano atrás e nunca o mostrei a ninguém e agora decidi divulgá-lo aqui.


My loved,

I wish

The flowers that you gave me

Last forever

But they just last

The finite time of a day

But the words that you said me

These are carved

On my heart.


- This is a poem that I wrote a year ago and I’ve never shown to anybody and now I decided publish it here.

- I normally dislike translate poems, because they loose the initial mean, but I wanted to unclose it.


Imagem/Picture: Constance Zahn

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