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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Gim de Unicórnio da Dream Chaser

Olá a todos!
Como tem sido a quarentena para vocês? Para mim em alguns aspectos tem sido ótimo, porque eu posso aproveitar mais a minha vida de recém-casada, mas por outro lado eu adoraria poder estar viajando ou ter um emprego. Eu só queria ter uma vida normal. Alguns dias é um desafio para nossa saúde mental passar por tudo isso, especialmente estando tão longe da minha família e dos meus amigos; mas estamos sobrevivendo. 
Uma das coisas que estamos fazendo para nos entreter nessa quarentena é provar diferentes bebidas alcoólicas ou fazer diferentes coquetéis. O consumo de bebida alcoólica é algo forte dentro da cultura britânica, o chá da tarde é normalmente acompanhado de champagne ou proseco. Em quase todas as ocasiões da cultura britânica o álcool está presente. Piqueniques, jantares, até mesmo o café da manhã inglês é tradicional numa manhã após a bebedeira acompanhado de uma pint de cerveja. 
Eu acredito que já tenha falado aqui anteriormente, mas o gim é a bebida nacional inglesa, assim como a cachaça é para o Brasil.  Ano passado eu fiz uma vídeo para mostrar o gim de unicórnio da Zymurgorium e também uma postagem no blog (confira o post aqui). Esse ano descobrimos uma outra marca que também se propõe a fazer gim de unicórnio que é a Dream Chaser. 
Meu marido comprou duas garrafas em diferentes sabores para que nós pudéssemos degustar. Claro que essa é uma bebida que é mais parecida comigo do que com ele. Eis uma foto das garrafas.  


Infelizmente eu não sei dizer se é possível importar essas bebidas estando no Brasil, eu sei que o Amazon UK (por onde compramos) não exporta para o Brasil, mas talvez outros sites o façam, caso eu descubra alguma maneira de fazê-lo eu aviso. Claro que eu também gravei um vídeo falando um pouco mais detalhadamente sobre esse gim e também mostrando minha primeira impressão da bebida. 


No Reino Unido é comum consumir Gim com água tônica, eu já consumi algumas vezes, mas eu não consigo me acostumar muito bem com o sabor da água tônica. Minha recomendação para misturar com gins mais extravagantes como esse são: água com gás, caso não queira adicionar outros sabores, WKD ou keep cooler (que são bebidas alcoólicas mais fracas e com sabor agradável) ou alguns refrigerantes cujo o sabor combine com a bebida. Aqui é possível enontrar refrigerantes de baunilha ou de limonada rosa que combinam bastante com os gins de unicórnio. Acredito que refrigerantes com sabor de limão combinem bem. 

Espero que tenham apreciado a postagem e se forem consumir bebida alcoólica o façam com moderação e não dirijam. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Caixa de vidro


Num certo dia uma donzela decidiu que não se deixaria mais envenenar pelo mundo e permaneceria trancada em sua casa. Havia um conforto seguro ali dentro, como numa caixa de vidro que guarda algum objeto inestimável. E certo dia surgiu uma moça em seu quarto. Era sombria e atraente e ela sabia que era a morte. Ela era doce, acolhedora, suave e graciosa. As duas riam dançavam, brindavam, dormiam e acordavam. Vez ou outra, era como se a morte ouvisse em seu ouvido um sino, então trajava negro e colocava a foice nos ombros – era hora de trabalhar. 
A donzela sempre perguntava por que não poderia ir junto, odiava ficar sozinha e ela apenas dizia que ainda não era hora.

Do livro As donzelas e as sombras.

Imagem: We heart it

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Apodrecimento


Algumas pessoas viam em seus olhos a cor do apodrecimento, outras viam saudade com um tom de melancolia. Se olhos são a janela da alma ou como uma tela... Não será possível que cada um veja uma parte de si na imagem? E uma infinidade de significados diferentes para essa mesma imagem e que sejam apenas o reflexo de quem as veja como uma janela espelhada? E olhando bem suas janelas eu não vejo nada apodrecido, mas um jardim florido. Ah, e essas janelas, em especial, são bem grandes e límpidas para poderem enxergar melhor os mistérios do mundo ou talvez para que o mundo possa enxergar bem sua alma... Vai saber a razão...
            Mas quanto ao apodrecimento, se houver mesmo, eu só posso dizer que é preciso que algo apodreça para que a vida surja. Que apodreçam plantas e animais e que virem adubo para que as sementes brotem e as plantas cresçam e floresçam e que os frutos surjam... É preciso que haja algo de pútrido às vezes, caso contrário jamais renasceríamos. Só quem tem a alma bem adubada consegue produzir e perceber a beleza inusitada que há na vida. 

Imagem: We heart it

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Passarinho



Quando criança meus avôs cuidavam de mim enquanto minha mãe trabalhava. Meus primos mais velhos frequentavam a escola, mas eu ainda não tinha idade suficiente para isso. Vez ou outra eu gostava de ir à creche em frente a minha casa brincar com as crianças, embora eu não gostasse de ficar por lá todos os dias como as outras cujas mães trabalhavam. Acho que certos ambientes se tornam sagrados por serem um abrigo na hora da fuga, mas não seriam tão mágicos se fizessem parte da rotina.
            Aos domingos era possível frequentar o parquinho da creche que ficava quase vazio, mesmo assim parecia divertido. No entanto o que mais me agradava era que eu poderia passar algum tempo com a minha mãe. Num desses nossos momentos, antes de chegarmos ao parquinho nos deparamos com um passarinho caído no chão que tivera sido atingido por uma pedra lançada por um estilingue. Nunca entendi a necessidade cruel de algumas crianças exercitarem os seus instintos assassinos numa criatura tão inocente quanto um passarinho.
            Nós pegamos aquele pequeno ser e o levamos para casa. Então cuidamos do seu ferimento e lhe demos um pouco de água. Eu o coloquei numa caixa de sapatos num cantinho da cozinha para que ninguém o perturbasse. Eu estava feliz e esperançosa de que em breve o passarinho estaria curado e voando por aí. Olhei-o uma última vez e fui tomar banho. Ao sair do banheiro me deparei com o passarinho na boca da gata do meu avô. Chorei copiosamente.

            Eu gostava da gata, sempre brincávamos juntas e ela certa vez impedira que uma cobra me picasse; mas eu não conseguia aceitar que ela tivesse sido capaz de um ato que para mim era hediondo. Eu não entendia seus instintos de caçadora e a sua preferência gastronômica, eu apenas conseguia vê-la como uma assassina. São coisas muito complexas para o entendimento de uma criança tão pequena.

Imagem: We heart it


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Uma Primavera

Quando os primeiros raios de luz da manhã invadiram o quarto através das cortinas, caia também uma chuvinha fina e as pétalas das árvores vinham ao chão como se elas chovessem junto; numa aquarela amarela, vermelha, rosa e roxa que ia tingindo o chão da relva verde. Outras florezinhas também brotavam em meio a grama e as pétalas chovidas. E nessa cena um passarinho se empoleirou na janela do quarto e cantou para acordar a donzela. Quis despir o vidro da janela da cortina de gaze para poder vê-la em seu sono de princesa.
            Viu-a sua silhueta se movendo numa imagem atrás da cortina, se espreguiçando graciosamente. Enquanto isso ele imagina um vestido suave cobrindo sua pele macia e delicada. Ela cantou uma melodia matinal tão agradável aos ouvidos que o passarinho pensou que ela tivesse respondido ao seu gorjeio e desejou se tornar humano. Quis adormecer no seu colo de seda, pela manhã despertá-la com um beijo, se aquecer no manto do seu cabelo. E se por um breve momento pudesse saborear esses prazeres sua vida inteira teria valido a pena.
            Via uma imagem embaçada da donzela que fazia sua toalete e escolhia um vestido. Quando finalmente estava pronta abriu a janela e as cortinas e se apresentou como um espetáculo ao pobre passarinho. O vestido rosado lhe ornava muito elegantemente a pele, o cabelo cascateava pelas costas, os braços eram como hastes de marfim emoldurando o corpo e seu sorriso... Era um sorriso radiante que fazia o sol perder o brilho. E um par de olhos preciosos como a joia mais rara.
            Ela esperava por ele para que pudessem celebrar a primavera juntos, mas ele não teve coragem. Ela parecia estar muito a cima dele, como uma deusa suprema que nenhum mortal é digno de tocar. Ele voou pra longe no momento que a viu. Ela desfez o sorriso e se trancou no quarto por dias, chorou por um tempo, mas na primavera seguinte se casou. O passarinho nunca mais foi feliz e se lamentando pela maneira estúpida com que agira se deixou ser devorado por um predador.

            Muitas vezes tudo o que se precisa para concretizar a felicidade é de um pouco de coragem.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Árduo



Amar às vezes é uma atividade complicada! Havia uma princesa linda e delicada que estava noiva de um príncipe muito apaixonado. A questão é que algumas donzelas não apreciam excessos de romantismo e quando surge uma paixão açucarada em suas vidas elas logo correm para os braços de uma aventura perigosa. E foi assim que aconteceu.
Os seus pais, o rei e a rainha tinham certeza de ter escolhido o noivo certo. Príncipe de um reino com quem tinham boas relações, sobre de sangue e espírito, e tão belo que arrancava suspiros das mocinhas por onde quer que passasse. Sua postura era impecável e havia nobreza em cada gesto seu; mas não era o suficiente para aquela princesa se apaixonar. Ela queria algo que a tirasse da monotonia do seu castelo e fugiu com o primeiro ogro que passou.

O príncipe, muito corajoso, fora com a espada em punho disposto a lutar bravamente contra o monstro pelo seu amor. Porém assim quem ele ameaçou a fera a princesa colocou-se à frente e disse “Vai-te embora! Estou feliz assim e é com ele que eu desejo ficar!”. O que mais se podia fazer? Amar às vezes é uma atividade complicada!

Nota: Não cumpri o desafio da última semana e não estou tendo muito tempo livre para postar. Peço que me desculpem. Assim que possível responderei a todos os comentários.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Chá da Tarde




No bosque perto da minha casa morava uma donzela. Bem, ela se mostrava como uma donzela, mas eu tinha certeza que se tratava de uma criatura mágica. Ela tinha uma aura luminosa, algo de místico e etéreo... Eu a admirava imensamente e certo dia eu a convidei para o chá da tarde. Coloquei a mesa no jardim, usei a porcelana mais elegante, pratiquei os meus mais aprimorados dotes culinários e fiz um arranjo com as suas flores favoritas. Eu a esperei por horas, mas ela não apareceu. Juntei todas as coisas e as guardei com lágrimas contidas nos meus olhos.
Eu estava triste e irritada. Fui dormir cedo aquela noite. Quando me deitei ela veio à minha cama e beijou minha bochecha. Então sussurrou baixinho ao meu ouvido dizendo que tinha adorado o chá e que eu tinha caprichado em cada detalhe. Ela tinha modos mágicos de agir. Sempre se manifestava de forma diferente. Era uma borboleta que pousava perto de mim, uma brisa suave que tocava o meu rosto...
Eu a amava, amava muito! Ela também me amava. E como todo mero mortal eu havia criado uma expectativa de como ela deveria demonstrar o seu amor por mim e somente naquela noite eu percebi que a sua maneira de demonstrar que me amava exigia de mim muito mais sensibilidade para perceber. Ela agia de maneira muito amável, porém pouco perceptiva a olhos frios. 

Imagem: We heart it

terça-feira, 19 de março de 2013

Luz



Havia uma cidade que era conhecia como A Cidade das Luzes, e nela viva uma menina que acreditava em fadas. Ela passava o dia procurando por estes seres mágicos dentro das lâmpadas. Acreditava que aprisionavam as pobrezinhas dentro daqueles globos de vidro para iluminar as noites escuras. Quando uma lâmpada se quebrava ela comemorava e pensava “Uma fada foi libertada!”; mas assim que a lâmpada era substituída ela se entristecia e sussurrava “Da próxima vez tente voar para o bosque e se esconda em baixo de umas folhas secas, acho que eles não te encontrarão por lá”.
            Ela orava todas as noites e em certa ocasião aconteceu um fato importante que as fez acreditar que suas preces tinham sido atendidas. Todas as luzes da cidade tinham se apagado, então ela subiu no telhado e viu as estrelas brilharem. “As fadas estão livres” – ela pensou e então sorriu. Uma delas voou para perto da menina e a abençoou com sua varinha de condão, em seguida lhe entregou uma esfera de luz e pediu que lançasse sobre a cidade. Quando ela fez isso todas as luzes da cidade se acenderam de novo.
            A cidade tinha de volta a luz, as fadas estavam livres e a menina nunca esqueceria este fato. Mas quem poderá esquecer algo tão fantástico?

Imagem: We heart it

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Uma flor



Havia uma flor com o seu nome – era tudo o que ele sabia. Ela não era bela, não havia qualquer detalhe físico que fosse digno de ser admirado. Definitivamente não era bela, mas havia uma flor com o seu nome e era uma moça inteligente como poucas pessoas são. Isso fez com que ele se apaixonasse. Ela era eloquente, ágil e vivaz. Ele a queria, queria muito! Ela só queria a si mesma, ela se bastava. Ele não se conformava, não entendia como ela poderia não querê-lo.
Ele era belo, inteligente e tinha tudo o que qualquer outra moça poderia procurar num rapaz. O fato daquela moça não querê-lo o feria gravemente. Ele não poderia obriga-la a amá-lo e se pudesse não o faria, preferia a dor do que tê-la contra a vontade; mas se houve uma maneira de despertar essa vontade....
Ele queria aquela moça porque havia uma flor com o seu nome, e o amor brotava no coração dele. Não há uma única flor que não seja bela e aquele em específico era bela em sua essência e quanto menos ela o queria mais bela se tornava.

Imagem: Encontrada aqui

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Corça





Certo dia um caçador estava em meio à floresta armado e pronto para atacar sua presa, como era de costume. Uma fera selvagem à espreita. Viu uma corça delicada e graciosa caminhando sobre a relva, e ela usava uma grinalda de flores. Deitou-se tão suave e languida, como uma donzela que seria deflorada em suas núpcias. Depois de algum tempo ela levantou-se como doçura e seguiu em direção ao lago.
            - Que engraçado! – disse o caçador a si mesmo. – Parece até mesmo um animalzinho de estimação de uma menina. Uma corça domesticada.
            O caçador a seguiu e às margens do lago a corça se transformou numa moça. O cabelo era longo, ondulado e da mesma cor do pelo da corça. O corpo era rosado e delicado, estava nua e a mesma grinalda ornava sua cabeça. Ela entrou no lago e se banhou como se aquela ação fosse a mais bela obra de arte.
            Terminou seu banho e se deitou na relva a repousar. O sol cintilava nos seus seios nus. O caçador se mantinha atrás de um arbusto e como se em determinado momento ela notasse sua presença, levantou-se delicadamente e caminhou até ele, estendeu as mãos e os olhos delicados de corça lhe pediram as armas. Ele estava entorpecido e não podia negar.
            Com as mãos delicadas ela triturou as armas como se fossem folhas secas. Depois se virou e seguiu por um caminho. Ele não quis vê-la partir, mas uma parte do seu coração quis olhá-la uma última vez e ele levantou os olhos em sua direção. Ela tinha se tornado corça novamente e também lhe lançou um último olhar. E ele nunca mais caçou. 


Imagens: We heart it

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Nuances


“Como é possível que o gelo queime?” – ela sempre se perguntava.
Considerava frios os olhos claros, mas aqueles em especial a deixavam em brasas. O som que deveria ser áspero era suave ao seu ouvido e a desmontava em mil pedaços, estraçalhava como vidro.
Tudo ao redor era vidro. Era possível ver através, mas havia uma barreira e atravessá-la significaria machucar-se.
Os olhos dela eram quentes, acolhedores e da cor de café; enquanto os dele eram como estilhaços de vidro, cristais de gelo ou qualquer coisa bela e cortante. Sabiam que não eram feitos um para o outro, mas estar juntos por alguns momentos bastaria... Ou talvez não, mas era o que lhes restava.
Era uma estrada bifurcada, cada um seguiria um caminho distinto e nunca mais se veriam. Ambos sabiam, mas como era possível que o gelo queimasse? Os olhos de gelo a deixavam em brasas, ela não queria deixá-los. Precisava ir, queria ficar... Deixou relíquias para ele. Um pedaço do vestido preso no arame farpado, uma gota de sangue num caco de vidro, uma marca de batom no espelho...
E ele atou um laço invisível que a prendeu... Sem prender.
Ele não sabia o quanto doía. Era como uma ferida aberta que a fazia desmanchar-se como vidro.
Como é possível que o gelo queime e destrua como fogo?

Imagem: We heart it

            

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Vento




Uma donzela se apaixonou pelo vento. Escreveu-lhe um poema e nunca entregou. Ela poderia se apaixonar por outro rapaz ou mesmo por outro elemento da natureza. Se tivesse sido a terra para lhe dar segurança, o fogo para aquecê-la ou a água que fosse possível aprisionar num jarro... Mas ela quis o vento. O vento que não traz segurança, não lhe pertencer e impossível de ser torna prisioneiro de qualquer que fosse a paixão.
            Ele andava por todos os lugares e roçava nos cabelos de outras moças e ela nem se importava. Não queria saber onde ele estivera, não cobrava as promessas feitas, não perguntava por que ele tinha se atrasado ou chegado mais cedo; apenas queria que ele estivesse ali. Cada folha seca trazida por ele era um tesouro valioso. Ela amava o vento por não tê-lo. Seu amor consistia em dar liberdade e era sublime por si só. 

Nota: Fazia tempo que eu não postava algum conto aqui. Este eu escrevi há uns meses atrás e essa semana decidi que seria interessante compartilhá-lo aqui no blog. Espero que tenham gostado.

Imagem: Yee Von Chan

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A princesa e o vassalo


Nota: Pensei muito antes de publicar este conto aqui, pois facilmente as pessoas poderiam interpretar de maneira errada e me deixar em situação embaraçosa. Os meus contos e minhas crônicas, não necessariamente, são o meu diário metaforizado. - Sendo mais clara, não representam algo que eu esteja vivendo. - Este conto, em específico, foi escrito a pedido da minha amiga Ana Lídia, que queria ler no meu blog uma história cujo tema fosse amizade colorida. Enfim, espero que eu agrade e que traga magia a seu dia.






Numa terra distante um rei tivera uma única filha, era a criança mais bela que o sol já tinha iluminado, e se chamava Ofélia, porém nenhuma outra criança nobre nascera naquela época. Os condes e marqueses tinham filhos adultos e não havia uma criança com quem a princesa pudesse brincar, e ela passava os dias sozinha e entediada. No entanto a esposa do cocheiro real dera a luz a um menino alguns meses antes do nascimento da princesa; e como o cocheiro era sempre um súdito tão fiel o rei pediu que o menino passasse os dias a entreter a princesa com brincadeiras, mesmo sabendo que não era muito apropriado que a princesa tivesse qualquer vínculo com pessoas que não eram de linhagem nobre.
            O menino se encantou pela princesa Ofélia e lhe fazia todas as vontades. Pegava a bola de ouro que caia no fundo do poço, fazia coroas de margaridas, carregava-a nos braços para que não sujasse de lama seus sapatos caros e o que mais ela pedisse. O tempo passou e a princesa se tornou uma bela moça, com doçura em sua voz e graça nos seus gestos. Era impossível negar-lhe qualquer que fosse o capricho. O filho do cocheiro era seu fiel vassalo e vez ou outra Ofélia o beijava, de forma tão suave que lhe dava o malefício da dúvida, se aquilo era real ou ele tinha imaginado. Não era apropriado, mas ela agia desse modo.
Enquanto fosse possível ela dispensava os pretendentes com uma desculpa ou outra, e todos eles se roíam de ciúmes. Era inadmissível uma relação tão íntima entre a alteza e seu serviçal. E ninguém sabia, nem ela mesma, mas a princesa havia entregado o seu coração ao vassalo.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Delirante




Ele aparecia casualmente, quase como uma miragem; e ela nunca sabia ao certo o que era real e o que era ilusão naquela imagem; mas ele aparecia para sugar a pouca energia que ainda tinha em sua alma.
            E apesar de todo o mal que lhe causava ela nutria uma paixão. Vez ou outra ela tentava, por conveniência, reprimir seus próprios sentimentos; porém não havia em suas atitudes, qualquer esforço ou vontade. Gostava da alegria incerta de sua ilusão doentia.
            Os efeitos que ele causava eram corrosivos. Ela queria morrer a cada instante em que ele não estava por perto e lamentava por nunca tê-lo por completo. E quando ela o via desejava morrer para que aquela fosse sua última visão.
            Ela morreria de toda forma, mergulhada em seu sonho delirante...

Imagem: Sarah Diamond

Nota: Fazia um tempinho que eu não postava crônicas narrativas por aqui. Essa, em especial, eu escrevi usando como inspiração uma anotação de mais ou menos um ano atrás.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Tão estranho... Tão comum...




O Caminho estava mais curto que o comum, tanto quando ela foi como quando voltou. Ela chorava e implorava a Deus que algo lhe impedisse de ir àquele lugar. Nada a impediu. Tudo facilitou o seu trajeto. E quando chegou onde queria, ela encontrou nada, absolutamente nada do que queria. Não havia nenhum rastro, nenhum cheiro, nenhuma presença. Ela queria falar sobre o mal que ele lhe fizera e que não mais queria aquele mal; mas não encontrou nada, absolutamente nada. Ele não estava lá.
            O que acontece com o coração quando tristeza e raiva se misturam?

Nota: Encontrei essa crônica perdida entre as minhas coisas, eu a escrevi há quase dois anos, então decidi compartilhá-la com vocês.

Imagem: We heart it

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Um conto de inverno/ A winter tale



            Ela não era a garota mais bela e mesmo assim tinha alguns pretendentes, mas nenhum lhe interessava. Apreciava sua própria companhia, gostava de atividades solitárias. Adorava observar e fotografar o ambiente ao seu redor. Seus amigos eram os livros e os fenômenos da natureza. A propósito, a natureza era algo que ela muito apreciava, gostava de se sentir parte dela.
            Certo dia, no fim do outono, ela viu o inverno chegar. Mas não como a maioria das pessoas vê, percebendo a temperatura cair e a neve repousar sobre tudo ao redor. Ela o viu de uma forma que apenas uma pessoa extremamente sensível poderia ser capaz de ver. O inverno personificado num cavalheiro muito pálido, de cabelos claros e trajes elegantes; que fazia tudo ficar branco e gelado por onde passava, como uma criatura mítica.
            Ele lançou um olhar solene e ficou a certa distância a observando, até chegar ao ponto de saber quantas vezes ela respirava ao longo do dia, cada gesto, cada pensamento, cada detalhe... Ela sabia de sua presença ali, mas não se importava. Se já havia observado o inverno tantas vezes por que ele não poderia observá-la também?
E assim ficaram observando um ao outro, encantados, hipnotizados. E então, antes que a primavera pudesse chegar e estragar com doçura e beleza toda a frieza do inverno ela decidiu juntar as últimas fagulhas de sua coragem e agir. Caminhou até ele e o abraçou e deixou que a frieza a percorresse; e dessa forma ela se tornou parte do inverno. Ele passou a leva-la por onde quer que fosse.
É bem certo que ela já tenha nascido com um pedacinho do inverno dentro de si e quando o viu apenas reconheceu aquilo que sempre foi seu.

She wasn’t the prettiest girl nevertheless she had some swains, but none interests her. She enjoyed her own fellowship, liked solitary activities. She loved to observe and photograph the environment around her. By the way, she really appreciated the nature and liked to feel part of it.
One day on autumn end she watched winter coming. But not like the most of people see, noticing the temperature getting down and the snow falling on everything. Winter was personified like a very pale gentleman, with light hair and elegant clothes; who made everything white and cold wherever he passes, like a mythical creature.
He looked at her solemnly and stayed a bit far observing for some time. Until know how many times she breathed during a day, each action, each though, each detail… she knew he was around here, but didn’t mind. If she had observed the winter many times why couldn’t he observe her too?
So they observed each other, enchanted, hypnotized. And so before spring could come and ruin the winter coldness with all her sweetness and beauty, she encouraged and acted. Walked to him and hug and let his coldness travel her body; so this way she became a part of him.
Surely she was born with a piece of winter inside of her and when she saw him she recognized what always was hers.

Imagem/ Picture: Tumblr

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um conto de fadas muito comum/ A very usual fairytale


Era uma princesa bela o bastante para fazer com que qualquer príncipe se enamorasse. Dormia e acordava como se nenhuma fealdade pudesse tocá-la. Os mais nobres cavaleiros duelariam até a morte por uma fagulha de sua atenção; porém nenhum lhe interessava e tudo parecia muito entediante.

Num dia ensolarado de verão, em que ela passeava tranquilamente pelo bosque, deparou-se com uma caverna onde habitava um temível dragão, que naquele momento estava adormecido. Ela se aproximou encantada e o tocou muito suavemente, sentindo sua pele grossa e escamosa. Passou horas o observando e acariciando.

Quando ele abriu os olhos e notou aquela presença tão suave e delicada, apenas bufou. Ela tentou tocá-lo naquele momento em que estava desperto, mas ele se contorceu e se esquivou. Apesar do desprezo do dragão ela passou a visitá-lo todos os dias, e uma paixão nasceu no coração da princesa da impossibilidade, e crescia regada pela rejeição de seu amado.

O rei descobriu o estranho romance de sua filha. Chocado com o absurdo, ordenou que a confinassem em seu quarto. No entanto ela tinha artimanhas para escapar e se encontrar com o dragão. Vendo a ineficiência da clausura, o rei decidiu mudar suas táticas, e antes que aquela história viesse a tona num escândalo. Ele arranjou um casamento para sua filha, com um príncipe de um reinado próximo.

Ela se viu totalmente impossibilitada de continuar seu romance e então arrancou do peito seu coração de cristal e o entregou ao dragão. Apesar de se casar contra sua vontade o seu coração estaria com seu amado e estaria bem aquecido mesmo se estivesse em cacos.

E assim ela viveu feliz em sua infelicidade.

There was a princess beautiful enough to make any prince fall in Love. She sleeped and woke up like no ugliness could touch her. The noblest gentlemen would duel to death for a spark of her attention; however nobody interested her and everything seemed pretty boring.

A sunny summer day when she was walking calmly by the woods came across a cave where lived a redoubtable dragon, and in that moment he was sleeping. She was enchanted, approached and touched him so softly, feeling his thick and flaky skin. Passes hours looking and fondle him.

When he opened his eyes and noted her, so soft and delicate, just wheezed. She tried to touch him awake, but he squirmed and dodged. Although his disdain she began to visit him everyday and into the princess’ heart a passion born by impossibility and grew showered by rejection from his loved.

The king knew about the weird romance of his daughter. He became shocked with that absurd, and ordered to confine in her room. Though she had tricks to escape and meet the dragon. Noting the inefficiency of enclosure he decided changed the strategies before that fact became a scandal. He arranged a marriage between her daughter and a prince lived in a kingdom around.

She found herself totally unable to continue her romance so rip the crystal heart out of her chest and gave it to the dragon. Although she would marry against her will her heart with her loved and it will be well heated even in pieces.

And so she happily in her unhappiness.

Imagem/ Picture: http://www.ebsqart.com/Artist/Lori-Karels/18941/

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ilusão/ Illusion


E foi num dia em que ela se levantou no primeiro raio de sol e o mundo inteiro iluminou quando ela pós os pés no chão. Sua doçura contaminou a realidade sombria, então a vida floriu. Naquele dia não havia dor, apenas beleza. Sua pele, seus olhos, seus cabelos... Ela era o mais belo ornamento num dossel de flores. Não era preciso que houvesse qualquer elemento fora de seu espírito, ela era todo o universo e o moldava como bem conviesse. Cavalgava num corcel no seu mundo de fantasias.

Porém quando alcançou o ápice de sua perfeição, como a última folha do outono, seu espírito planou até a realidade e nunca mais voltou. Ela não fora permitida de retornar e então decidiu dormir para nunca mais acordar. Se não pudesse sonhar nada mais valeria.

A day ago she got up when the first ray of sun appeared and the world became illuminated when her feet touched the ground. Her sweetness contaminated the shadowy reality, so the life bloomed. In this day there was no pain, just beauty. Her skin, her eyes, her hair… she was the most beautiful ornament in middle of a flower canopy. It wasn’t necessary any element out of her mind, she was all universe and molded it like she wanted. She ridded a horse in her fantasy world.

However when she achieved the apex of perfection, like the last autumn leaf, her spirit glided to reality and never went back. She was not allowed to return and decided to sleep and never wake up. If she couldn’t dream nothing had value.

Imagem/Picture: Tumblr

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