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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Uma Primavera

Quando os primeiros raios de luz da manhã invadiram o quarto através das cortinas, caia também uma chuvinha fina e as pétalas das árvores vinham ao chão como se elas chovessem junto; numa aquarela amarela, vermelha, rosa e roxa que ia tingindo o chão da relva verde. Outras florezinhas também brotavam em meio a grama e as pétalas chovidas. E nessa cena um passarinho se empoleirou na janela do quarto e cantou para acordar a donzela. Quis despir o vidro da janela da cortina de gaze para poder vê-la em seu sono de princesa.
            Viu-a sua silhueta se movendo numa imagem atrás da cortina, se espreguiçando graciosamente. Enquanto isso ele imagina um vestido suave cobrindo sua pele macia e delicada. Ela cantou uma melodia matinal tão agradável aos ouvidos que o passarinho pensou que ela tivesse respondido ao seu gorjeio e desejou se tornar humano. Quis adormecer no seu colo de seda, pela manhã despertá-la com um beijo, se aquecer no manto do seu cabelo. E se por um breve momento pudesse saborear esses prazeres sua vida inteira teria valido a pena.
            Via uma imagem embaçada da donzela que fazia sua toalete e escolhia um vestido. Quando finalmente estava pronta abriu a janela e as cortinas e se apresentou como um espetáculo ao pobre passarinho. O vestido rosado lhe ornava muito elegantemente a pele, o cabelo cascateava pelas costas, os braços eram como hastes de marfim emoldurando o corpo e seu sorriso... Era um sorriso radiante que fazia o sol perder o brilho. E um par de olhos preciosos como a joia mais rara.
            Ela esperava por ele para que pudessem celebrar a primavera juntos, mas ele não teve coragem. Ela parecia estar muito a cima dele, como uma deusa suprema que nenhum mortal é digno de tocar. Ele voou pra longe no momento que a viu. Ela desfez o sorriso e se trancou no quarto por dias, chorou por um tempo, mas na primavera seguinte se casou. O passarinho nunca mais foi feliz e se lamentando pela maneira estúpida com que agira se deixou ser devorado por um predador.

            Muitas vezes tudo o que se precisa para concretizar a felicidade é de um pouco de coragem.

3 pérolas:

luanebulosa disse...

Não vou negar que comecei esse conto esperando um final feliz, mas a lição as vezes só se aprende com o erro. Seu modo de escreve-lo me lembrou o Andersen.

ameiii o texto!
Beijooos!

Belle Bueno disse...

Covardia é uma cisa complicada, não?
Muito bem escrito, e muito lindo apesar de triste.
Adorei.

xoxo

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