sexta-feira, 16 de junho de 2017

Mudar de ideia não é indecisão/ Change your mind is not indecision


Há algum tempo eu estava conversando com um amigo, meu melhor amigo para ser mais precisa, e estávamos falando sobre mudar de opinião. A educação que eu recebi da minha mãe visava me dar uma grande liberdade para que eu tivesse flexibilidade de escolha, inclusive se eu quisesse mudar de opinião em relação a alguma decisão que eu havia tomado. No entanto, esse meu amigo teve uma educação diferente em diversos aspectos, e ele me disse que foi ensinado que não era bom mudar de opinião, que isso demonstrava certa fraqueza de caráter, era algo típico de pessoas que não sabiam o que queriam da vida. Ele deu até um exemplo bobo “se eu escolhesse que minha cor favorita era verde hoje, eu não poderia mudar isso, eu não poderia decidir amanhã que eu gostava mais de azul, logo vinha alguém perguntar ‘mas a sua cor favorita não é verde?’”.
Essa não é e nunca foi uma competição para ver quem teve a melhor educação, a questão não é essa, mas por conta da forma com que eu fui criada eu nunca parei para observar que outras famílias ensinavam valores diferentes em relação a esse aspecto que parece tão pequeno e como a sociedade, num geral, impõe valores similares, a mudança não é muito bem vista mesmo quando ela é positiva. Cansei de ouvir comentários como “Nossa! Fulano era tão machista e agora mudou totalmente o discurso” – e falam num tom de crítica como se por conta de uma fala infeliz ou do modo com que essa pessoa pensou em determinado momento de sua vida deveria permanecer desse modo até o fim sua vida. Não que um homem mereça ser aplaudido por não ter uma atitude machista, mas eu só penso “Que bom que esse ser humano evoluiu”.
E por falar em evolução, eu acho que a questão é exatamente essa. Que bom que estamos em processo evolutivo, que viemos ao mundo, encarnados num corpo de ser-humano para que pudéssemos realizar essa tarefa esplêndida, mesmo que as suas crenças sejam diferentes, é possível que você ainda acredite que o ser humano evolui ao longo de sua vida. E muitas vezes nos falta um pouco de empatia ao analisarmos certas situações. Lembro-me que esse meu amigo já se envolveu em algumas confusões por expressar ideias preconceituosas que ele reproduzia de acordo com aquilo que ele aprendeu na convivência familiar ou com outras pessoas e algumas vezes em que presenciei isso eu apenas pensei “ele diz isso agora, mas futuramente ele vai amadurecer e perceber que não é bem por aí”. Não estou dizendo que todas as pessoas vão mudar de ideia no futuro, mas eu o conhecia o suficiente para saber que isso aconteceria.
É preciso ter um pouco de fé na humanidade! E eu vou ter de citar essa frase porque há algum tempo eu estava extremamente descrente da humanidade e esse meu amigo me deu um puxão de orelha quanto a isso. Nós precisamos ter fé na humanidade, porque tem muita gente ruim no mundo, mas tem muita gente incrível fazendo coisas extraordinárias. E se querem saber, eu mesma já disse coisa muito idiota, que lembrando eu me arrependo, mas fico aliviada por ter evoluído, por ter recebido essa maravilhosa oportunidade de mudar de ideia.
Some time ago I was talking to a friend, my best friend, and we were talking about change minds. The education I receive from my mother intended to let me free to choice whatever I wanted even if I decided to change my mind. But it was not his case, he received a different education in too many ways, his parents taught him that was not good change idea, it was an attitude of a person who has a weak character, someone who didn’t know what really wants. He gave me a silly example “If I decided my favorite color is green today I couldn’t say my favorite color is blue tomorrow. Someone always asked me ‘but wasn’t green your favorite color?’”
This is not and never was a completion about who had the best education, it’s not the question, but because of the education I received I had never noticed that other families taught different values about this subject, that seems something so simple, and how the society, in general, imposes similar value, change mind is not seen as something good, even when it’s a positive changing. I’m tired to listen so speeches like “Oh, look that guy, he was so male chauvinist and now he changed totally” – and they speak in a tone of criticism, as if a person who say something bad in some moment or who think something wrong needs to be like this for all his/her life until the end. I don’t think a man deserves to be applauded for having no chauvinist attitude, but I just think “He evolved, that’s nice!”
And speaking of evolution, the question is exactly this. How nice is the fact that we’re in an evolutionary process, we came to this world embodied in human beings bodies to accomplish this spending task, even your beliefs are different, you probably believe that human beings evolve throughout his or her life. I remember that this friend who I mentioned was already involved in some confusions for expressing prejudiced ideas and they were just a reflection about what he learnt in his family and with other people around him, when I watched him beavering like this I just thought “Ok, he’s saying it right now, but someday he will noticed it’s a wrong thing” – I’m not saying that all people will change their minds in the future, but I knew he would change because I know him.
It’s necessary have a few faith in the humanity! I need to say it because some time ago I was extremely disbelieving of humanity and this friend scold me about it. We need to have faith in the humanity, there’s a lot of evil people in the world, but there’s also a lot of amazing people doing awesome things. And if you want to know it, I already had said stupid things, and I’m ashamed for them always when I remember, but I’m so thankful for my evolution, for have this wonderful opportunity of change my mind.


3 comentários:

  1. Oi Luana,
    Vc me fez lembrar de um fato que me marcou muito. A família de minha mãe é do RJ, então qdo eu era criança e adolescente ia muito para lá. Sempre que passeava de carro com meus primos e passava por uma casa na Gávea, eu falava que adorava aquela casa. Cresci, passei uns 5 anos ou mais sem ir para o RJ e quando fui, meu primo resolveu ir a um barzinho em cujo caminho estava a Gávea. Ao passar pela tal casa na Gávea ele me disse: "Vc não se lembra desta casa que vc gostava tanto". E eu respondi: "Eu ainda gosto desta casa". Ele achou minha resposta um absurdo, pois eu elogiava muito a casa antes, e naquele momento "ainda gostava". Eu mudei, cresci, estudei artes e a casa não mudou. As pessoas têm dificuldades de aceitar nossas mudanças, mas eu me reservo o direito de mudar sim, para melhor ou para pior, ou nem isto, mudo de acordo com o momento de vida que estou tendo.
    Adorei o texto.
    Bjs

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  2. Oier! <3 Por um lado concordo contigo, por outro, com seu amigo. Acredito que certas coisas precisam sim de uma certa convicção, porque se não, como poderemos confiar na palavra de tal pessoa?! Não digo no caso de uma coisa boba como cor, gostar ou não de tal comida e etc... Mas tem outras coisas que, do meu ponto de vista, é necessário manter uma certa opinião formada, afim de passar credibilidade... Tudo depende do que for! Acho que fiquei meio vaga, mas enfim... UHAUHAUHA! Beijo! <3

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  3. Hey Luana! Tudo bem?
    Adorei seu texto, super de acordo com a sociedade atual...
    As coisas andam se alternando tanto que realmente em algum momento acabamos mudando o olhar sobre determinado assunto, às vezes até por uma questão de idade mesmo.

    Passando para comentar que estou com blog novo. Espero sua visitinha :)

    Beijos♥
    edarosa.blogspot.com.br

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